para tingir as águas paradas com sangue

instalação / xilogravura / tecelagem de papel – 3m60 x1m20
fotografias / bordados / garrafas

Este trabalho oferece um diálogo e um ponto de observação incomum: o espectro da presença à ausência.
Ela é tanto vida, morto, vestígio, memória e lembrança. E tanto uma iniciação ao silêncio quanto à contemplação. Tem como objetivo trazer uma reflexão sobre a própria existência do ser humano por meio de um assunto que é hoje um ponto da atualidade que finalmente atravessou todos os tempos.. Em todos os momentos, a migração onde teve que cruzar o mar teve sua parcela de desaparecidos engolidos pelas águas, diluído.
O ano 2018 viu desaparecer na travessia do mar Mediterrâneo 2262 pessoas. Seu sangue se misturou com as águas. Ele se tingiu de sangue e deixou sua marca naquelas águas.
Somos confrontados com o traço e a ausência de um traço. Na trilha órfã. Para uma presença existente e inexistente ao mesmo tempo, com restos imperceptíveis. Estamos imersos como eles em uma dimensão atemporal, na incomensurabilidade do drama. O engolfamento é uma passagem incógnita que escapa ao nosso olhar, com perda de identidade e ausência de materialidade. Este trabalho se propõe a se posicionar como representação desse traço e tornar visível esse anonimato.. Ela pretende ser o silêncio que nos liga a esses seres desaparecidos. Pretende ser uma ressonância e sabemos bem que muitas vezes as ressonâncias transcendem as distâncias temporais e geográficas.
COMO.

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